Friday, July 07, 2006

E quando fosse mais triste
Trombasse a alegria
Quando fosse mais sério
Cruzasse o humor
Quando tudo caisse
"Nois se levantasse"
E não sendo arredio
Colhesse uma flor
Tudo isso passando
Eu na cama deitado
Menos dia mais dia
A vida acabou
Quantas coisas se escondem
Aqui do meu lado
E eu perdendo tempo
Deixando passar
E o tempo deixando no rosto a marca
De histórias que fim deverá apagar.

Monday, July 03, 2006

Encheu meus olhos de repente
E era quente
E era sal
E fez transbordar

Torceu o tédio em euforia
E ria como se tudo pudesse acabar

Clarão de noite
Incendiando
Derretendo torres de metal

Eu que acompanho cometas
Deixo meu olho queimar
Me deito em lava incandescente
E assim desprendido no ar
Espero outra erupção
Como quem não pode esperar
Poucas, razas e raras
Felicidades esparsas

Este nó cego
Coalhando o sangue das veias
Engasgado entre o pensamento e a voz

Passarinho de asas feridas
Ainda quer vento cantar

Ainda estou aqui
E grito dentro de mim
Não há ninguém pra ouvir
que perdi a voz

E se o caminho é pesadelo
E se perdi a inocência
Deixa que eu queimo
Até cinzas clarear

Deixa que eu broto
Sem me dar conta do esgoto
Deixa que fujo denovo pro menino que fui
Que jogo de lado o que comprei sem valor

Depois de mil anos adormecido
De cacos estilhaçados
E carnes desfaceladas
Vou vagarosamente me fundindo ao sol
Gota a gota até meu mar
De riacho a cachoeira
de bacia até a foz
Eu sei que me refaço
Mais dia menos dia.